No final de 2021, a Espanha publicava o decreto lei que revogou a reforma trabalhista de 2012. A mudança envolveu uma extensa negociação entre empresas, sindicatos e partidos que compõem a coalização que dá suporte ao governo capitaneado pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). O principal objetivo desta, considerada a Nova Reforma Trabalhista, foi acabar com o abuso das contratações temporárias, que na época correspondiam a mais de um quarto das ocupações no país. No Brasil, uma reforma trabalhista também foi realizada em 2017, na época em que o país era presidido por Michel Temer. Muito se falou sobre como a reforma brasileira havia sido inspirada na espanhola de 2012, supostamente para criar mais empregos, ainda que fossem vagas precárias e mal remuneradas. Intrigada com o assunto, a advogada trabalhista Isabela Pimentel de Barros decidiu entender por que o Brasil estava se inspirando em uma reforma que claramente não havia dado certo. Ela estudou o tema em sua tese de mestrado, que posteriormente se transformou no livro 'Violência contra o Direiro ao emprego, uma análise do contrato temporário no mercado de trabalho da Espanha e do Brasil', publicado pela editora Juruá. Bel Mercês conversa com ela.